Autor - Curso XISDE

Aula 59 – Pronomes Pessoais I

Para prosseguir com o estudo do japonês, precisamos lembrar um pouco das aulas de português... Os pronomes pessoais representam indivíduos, e são divididos em primeira, segunda e terceira pessoa do singular e do plural:

No português, são estes que usamos no cotidiano... Existem alguns outros, mas estes são usados em casos especiais (como ao se dirigir ao papa, ou a um rei, ou a um juiz).

Mas no japonês é diferente: na lógica da sociedade japonesa (que é baseada em respeito e a hierarquia), deve haver distinção evidente no diálogo entre pessoas de diferentes níveis sociais e posições hierárquicas. Isto vale para as formas verbais, para o vocabulário e como veremos agora, também pelos pronomes utilizados!

Primeira pessoa do singular [eu]

Se você já viu algum anime ou mangá, possivelmente já se deparou com algumas formas diferentes de se dizer "eu" (e os outros pronomes também), e isto é algo curioso, pois estas formas variam de acordo com quem está se falando ou para quem está se falando:

わたし watashi forma geral neutra
あたし atashi variação de watashi usada só por mulheres
ぼく boku coloquial (normalmente usado por meninos)
おれ ore forma ostentiva  (usado por marrentos e machões)

Deu para entender? O "eu" que é usado em uma conversa com seu chefe nunca poderá ser o mesmo "eu" usado ao falar com seu irmão mais novo, que ainda será ser diferente do "eu" usado ao falar com seus amigos da quebrada. E se você for mulher, seu "eu" também é diferente do "eu" dos homens...

Embora as formas acima sejam as mais utilizadas, existem mais de 15 formas diferentes de dizer "eu" em japonês rs.

Segunda pessoa do singular [tu]

Seguindo o mesmo raciocínio, você já pode esperar que ao se dirigir a outra pessoa diretamente (tu), o mesmo deve ocorrer, como veremos a seguir:

貴方 あなた anata forma geral neutra
きみ kimi parentes e amigos próximos
お前 おまえ omae usado para alguém em posição hierárquica inferior
手前 てまえ/てめえ temae/temee usado para confrontar, é extremamente desrespeitoso

Vale ressaltar que a segunda pessoa do plural é pouco utilizada no cotidiano, normalmente sendo substituída pelo nome da pessoa + algum sufixo de polidez (-san, -kun, -chan, etc).

Vamos supor que eu esteja conversando com uma colega chamada Sakura, e queira dizer que ela é bonita. Eu não diria "anata wa kawaii desu", e sim "sakura-san wa kawaii desu".
Você pode, deve e é até mais educado usar o nome da pessoa com a qual você está conversando. Sim, você precisa saber o nome da pessoa... O mínimo que a sociedade japonesa espera é que você se lembre do nome de todas as pessoas que já te foram apresentadas na vida, nem é tão difícil... hahahaha

Mas caso isto não seja possível, dependendo da posição hierárquica ou da profissão, você também pode se dirigir à pessoa como "senpai" (veterano) ou "sensei" (mestre/doutor), pois são palavras muito mais respeitosas do que usar apenas o pronome "anata".

Outra alternativa, que varia de acordo com a diferença de idade, é chamar a outra pessoa de "onii-chan" (irmãozinho), "obasan" (tia), "ojiisan" (vovô), etc, mesmo que a pessoa não seja da sua família (isto é comum em algumas culturas asiáticas, e pode ser usado, mas não é apropriado para todas as ocasiões).

Mas então a segunda pessoa "anata" nunca é usada? Não é bem assim, ela pode ser usada entre pessoas íntimas, por exemplo, uma esposa falando com o seu marido, ou para fins didáticos, como apresentado nos exemplos deste curso.

Terceira pessoa do singular [ele/ela]

Agora, para finalizar, sem muitos detalhes (ufa):

かれ kare forma geral masculina
彼女 かのじょ kanojo forma geral feminina
あの人 あのひと anohito literalmente "aquela pessoa"

Como você também já pode ter visto em algum lugar, "kanojo" formalmente significa "ela", mas informalmente tem outro significado: "namorada". Caso esteja se perguntando, de forma similar, "kareshi" (namorado) em japonês vem de "kare" (ele).

Existem muitos outros pronomes pessoais, usados em situações especiais ou de maneira muito coloquial, que não são importantes neste momento, pois os pronomes listados já garantem mais de 90% da comunicação básica.

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